JESUS COMO MESTRE E OS MESTRES DE ISRAEL

 

A realidade nossa, sobre a palavra Mestre, é muito diferente da noção de mestre para o oriental e principalmente para o povo judeu, de um modo particular. Assim sendo, para entendermos a proposta de discipulado de Jesus, devemos primeiro entender o que Ele quis dizer com “vós me chamais mestre e eu o sou”.

Qual o significado para nós ocidentais da palavra mestre? Primeiramente é uma palavra que foi praticamente substituída do nosso dia, pela palavra professor, hoje já não se usa chamar o professor de mestre, pois mestre se entende àquele que defendeu o mestrado. Assim para nós, é uma palavra sem peso e que a correspondente, no caso professor, tem ainda menos peso, pois o professor pela própria desvalorização imposta pelos governos, deixou de cumprir o seu papel de educador e passou a ser um mero repassador de conhecimentos e na maioria das vezes teóricos, ou então é uma máquina de preparar vestibulandos.

Sem dúvida, esta é a primeira dificuldade que encontramos para entender o discipulado de Jesus, pois não sabemos na prática o que é um mestre, pois o nosso entendimento é muito pobre sobre o assunto.

Podemos traçar um paralelo entre o nosso significado de mestre e o sentido para os orientais de uma maneira geral.

 

Ocidentais:

Mestre ensina conhecimento teórico, na maioria das vezes, ou conhecimento prático sobre uma determinada profissão.

Mestre tem um lugar determinado, fixo, onde seciona.

São vários mestres para um mesmo aluno.

 

Orientais:

Ensina a vida, coisas práticas, relacionadas não apenas com a profissão, mas, sobretudo sobre a vida, os valores.

Um mestre para todas as disciplinas, não havia esta divisão.

    O mestre não tinha um lugar fixo, ensinava utilizando a própria natureza e os 

    acontecimentos como conteúdo.

Pôr esta idéia inicial do papel do mestre para os orientais começaremos a entender a nossa dificuldade de considerar a Jesus como mestre, aliás, é um título que nós não usamos.

 

Mas vamos analisar como eram os mestres de Israel em particular, que foi o local onde Jesus cresceu e fazia parte de sua realidade e quando ele fala em mestre, os judeus entendiam como era a realidade deles e não como a nossa ocidental.

Os mestres em Israel, eram leigos competentes, que ensinavam os outros a viver de acordo com a vontade de Deus. Geralmente eram estudiosos da Lei; porém eram homens sábios que de acordo com o plano de Deus, transmitiam um estilo de vida, que eles mesmos experimentavam.

 

Mais do que teorias ou doutrinas, um mestre ensinava a sabedoria de viver retamente, encontrando o sentido da existência e a forma de cumprir a própria vocação. Neste sentido, o mestre chegava a ser mais importante que o próprio pai, já que o pai dava somente a vida enquanto o mestre ensinava a vivê-la. Para um hebreu era muito mais importante “saber viver” do que viver. O mestre não baseava seu ensino em teorias. O que ensinava era própria vida. Pôr isso os discípulos tinham que conviver com seus mestres, já que era observando-o que aprendiam a viver. Deste modo, em torno do mestre formava-se uma família.

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