EFEITOS DA UNÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

Eu gostaria que os irmãos que estão lendo estas ponderações aguçassem a atenção sobre os efeitos

da unção, pois eles nos trazem aos olhos a importância, a utilidade e a necessidade da unção.

No Velho Testamento a unção se liga diretamente à capacitação para a missão. Saul foi ungido pelo profeta Samuel antes de assumir o governo de Israel. Davi recebeu mais de uma unção.

Em 1 Samuel 16,11-13, Davi, ainda adolescente, é ungido para ser o novo rei de Israel. Diz a Bíblia que “a partir daquele momento o Espírito do Senhor apoderou-se” dele.

Gostaria de ressaltar um fato interessante. Embora Davi houvesse recebido a unção para ser rei, mediante uma instrução de Deus ao profeta, o que ocorreu é que logo após foi chamado para servir Saul. Neste serviço incluía o uso de sua harpa. Com ela Davi produzia uma música que expulsava certo espírito maligno que atormentava o Rei.

Outro fato a considerar é que, partindo do relato bíblico, podemos ligar essa primeira unção de Davi a uma fé fora do comum. Tal fé produzia uma confiança ímpar no jovenzinho pastor. Por aqueles dias irrompeu-se uma guerra com os filisteus. Nesse contexto apareceu o campeão chamado Golias. Ele desafiava todo o exército de Saul. Ao seu grito os guerreiros Israelenses tremiam nas trincheiras, menos Davi, que era um simples Pastor, porém ungido por Deus. E ele não omitia a fórmula de sua coragem. A esse respeito, disse ao Rei que “assim como o teu servo matou o leão e o urso, assim fará ele a esse filisteu incircunciso, que insultou os exércitos do Deus vivo. O Senhor, acrescentou, que me salvou das garras do leão e do urso, salvar-me-á também das mãos desse filisteu” (1 Sm 17,36-37).

O desfecho da peleja todos sabemos. Davi venceu o gigante e Israel os filisteus. Davi viveu sob a graça dessa unção por alguns anos. Tornou-se um comandante de tropas vitorioso. O rei rivalizou-se com ele e o perseguiu. Nesse tempo as intenções de Davi passaram por intensa purificação. Viveu em terra estrangeira como um renegado. Venceu tentações. As maiores delas foram duas oportunidades que teve para matar o rei que o perseguia com animus necandi.

Após a morte de Saul o povo ungiu Davi para ser rei de Judá, que era uma parcela do povo de Deus. Essa foi a segunda unção. Depois dessa unção o novo rei teve que enfrentar muitas guerras internas, pois havia recebido um reino dividido. Com essa unção pacificou o reino internamente.

Em seguida veio-lhe mais uma unção. Desta vez da parte dos anciãos de Israel. Dessa hora em diante Davi teve um reino unido composto por todas as tribos de Israel. A partir dela começou a consolidar o reino perante as outras nações. Era o momento de implementar uma nova fase na política externa da nação. Foi depois desta unção que ele conquistou Jerusalém e fez dela a capital do seu governo.

Agora algumas observações. Quando Davi foi lutar com Golias tentaram vesti-lo com armaduras, mas nenhuma lhe servia. Eram muito grandes e de peso excessivo para ele. Assim combateu com as ferramentas de pastor. Ao decepar a cabeça do gigante, fê-lo com a espada do próprio inimigo. Tentaram fazer de Davi outra pessoa, mas isso não foi possível. Ele venceu a luta sendo somente Davi. Ungido, porém Davi. O então pastorzinho aprendeu que a unção não o descaracterizava. Ela forma uma parceria perfeita com a pessoa ungida. O ungido não precisa ser outra pessoa. Basta ser ungido.

Outra observação importante, é que a unção de Davi aumentava na medida em que servia, na proporção em que precisava de autoridade. Quanto mais ele servia mais sua unção aumentava. Primeiro serviu o rei como um serviçal, um músico. Em seguida venceu Golias, tornando-se o pivô da vitória sobre os filisteus. O rei, enciumado, intentou por fim à vida de Davi, mas temeu, pois bem sabia que o Senhor estava com o jovem. Por isso deu-lhe para comandar uma tropa de mil homens. Com esses mil Davi era mais bem sucedido do que todos os outros comandantes.

Davi fugiu para escapar do rei, mas em sua fuga tornou-se comandante de um pequeno exército formado por seus seguidores.

Assim, de sucesso em sucesso, mantendo-se fiel, recebeu unção para ser rei de Judá e por fim de todas as tribos. Penso que se ele não tivesse se colocado a serviço após a primeira unção, com certeza não teria recebido a segunda e nem a terceira. É como já dissemos, a unção aumenta na medida em que o servo presta serviço e na proporção em que precisa de autoridade.

Como vimos um pouco acima, com a unção do Messias os filhos de Deus passaram a ser ungidos com o próprio Espírito Santo. Gostaríamos de apresentar algumas idéias a respeito. Em verdade a primeira unção que aparece no Novo Testamento não foi a das margens do Jordão, foi a da concepção de Jesus. Naquela oportunidade o anjo disse a Maria: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado filho de Deus” (Lc 1,35).

Aqui podemos ligar a filiação divina à unção do Espírito Santo. Foi por essa unção que, segundo o mensageiro sagrado, ocorreu a geração do Filho de Deus.

Anos mais tarde a existência dessa unção foi revelada pelo próprio Messias, o Ungido, em uma sinagoga de Nazaré

Essa linha de pensamento foi desenvolvida mais tarde pelo ministério paulino. Com efeito, Paulo foi o primeiro escritor sacro a escrever sobre o Espírito Santo. Em Gálatasele apresenta o envio do Espírito Santo aos gálatas como prova irrefutável de sua filiação divina e, para ajudá-los a discernirem se a unção do Espírito estava neles, apresentou-lhes um rol exemplificativo de frutos do Espírito, querendo dizer que se tais frutos existirem na vida de uma pessoa é porque ela certamente estará vivendo no Espírito.

Mas foi na Carta aos Romanos que essa doutrina ficou mais clara. No seu oitavo capítulo, versículos quatorze, quinze e dezesseis, está escrito que “todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porquanto (…) recebeste o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai! O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus.”

Pelo entendimento dessas idéias podemos perceber que um dos frutos da unção do Espírito Santo é capacitar os batizados para viverem como filhos de Deus de fato. Com ela a pessoa deixa de seguir a doutrina secular para vivenciar a que nos foi dada por Deus por meio dos profetas e de Jesus. Essa doutrina foi conhecida nos primórdios da Igreja como a doutrina dos Apóstolos.

O liame entre unção e vivência prática da filiação divina é muito importante para qualquer discípulo, principalmente para os que aceitam a vocação missionária, pois, em última análise, tudo o que um evangelizador precisa ser é um filho de Deus de fato. Penso que nada seria mais importante para uma boa ação evangelizadora do que o missionário revelar em sua pessoa a face amorosa de Deus, para o bem do mundo que espera a salvação. Você pode imaginar o porquê?

Agora apresentaremos um efeito muito precioso para o ministério de quem ensina ou prega. Mas creio que por força extensiva ele pode ser estendido a outros ministérios. A tradição joanéia o deu a conhecer assim: “Quanto a vós, a unção que recebestes dele permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas como sua unção vos ensina tudo, e ela é verdadeira e não mentirosa, assim como ela vos ensinou, permanecei nele” (1 Jo 2,27).

Caso alguém considerasse alguns termos do versículo acima isoladamente poderia pensar que João estaria levando os discípulos para uma espécie de iluminismo, daquele gênero de iluminismo que não aceita a mediação humana para o acontecimento da graça. Quem se deixa levar por esse tipo de iluminismo não ouve as pessoas, a pretexto de estar ouvindo a Deus diretamente. Mas não foi isso que o Apóstolo do amor quis dizer. João não estava legitimando o desvio espiritual de ninguém. É que naquela época a sua comunidade estava sendo assediada por pregadores que não aceitavam a pureza da Revelação. Eles aparecem veladamente nas expressões “anticristo” e “falsos profetas”. Em apocalipse alguns deles são identificados como nicolaítas.

João desejava que os novos discípulos acolhessem os ensinamentos que recebiam através da unção dos Apóstolos, assim como da unção deles próprios. Ora, ele que se reclinava sobre o peito do Senhor  deveria ter intimidade com a unção do Mestre. Com certeza deveria ser espiritualmente místico o suficiente para reconhecer em si a própria unção divina. Acredito que experimentou em muitas oportunidades tudo o que a unção é capaz de proporcionar. Por isso deveria saber o que dizia. Com efeito, tinha autoridade suficiente para dizer aos discípulos: “Confiem na unção. A verdadeira unção não vos enganará. Ela lhes dirá interiormente onde está a verdade.”

Muitos pregadores já devem ter presenciado os efeitos da unção que ensina. Em muitas oportunidades, quando terminamos uma pregação, pessoas nos vem dizer o quanto o que de nós ouviram lhes serviu. Algumas chegam a dizer palavras como estas: “Tudo o que você dizia era para mim.” E em algumas vezes, quando lhes perguntamos: “Do que eu disse, o que propriamente lhe ajudou?”, elas começam a dizer uma porção de coisas que sequer passaram pela nossa cabeça enquanto pregávamos. E se nem ao menos pensamos nas coisas que elas disseram que falamos, então é porque nós não as pronunciamos. Então, o aconteceu? Será que o Senhor falou com elas direta e pessoalmente? Eu não chegaria a tanto, mas diria que ele lhes falou por meio da unção do seu Espírito que envolve os pregadores e os próprios ouvintes. Assim, enquanto o pregador proclama as palavras que acredita terem vindo de Deus, via inspiração do Espírito Santo, as pessoas que o ouvem, mesmo que venham a ser milhares ao mesmo tempo, vão recebendo, cada uma, aquilo que necessitam, segundo a unção mencionada em João 2,27. ]Essa idéia tem uma certa base escriturística, pois Jesus Ressuscitado abriu o entendimento dos discípulos para que entendessem as Escrituras, mediante sua autêntica interpretação da História da Salvação. Aliás, outro efeito – e dos mais importantes para os ministérios do ensino e da pregação – é precisamente a abertura do entendimento dos ouvintes para a compreensão do que ouvem. Falemos um pouquinho disso.

Um versículo do Evangelho segundo Mateus alerta-nos seriamente a este respeito, dizendo: “Todo aquele que ouve a Palavra de Reino e não a entende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração” (Mt 13,19a). A linguagem da Bíblia traduzida pelo Centro Bíblico Católico  a partir da versão dos Monges Maredsous, da Bélgica, é mais forte neste ponto, ao dizer que o Maligno arranca o que foi semeado, em vez de arrebata.

Imagino que nenhum pregador ou formador gostaria de ver a palavra de Deus que proclamou ser arrancada pelo Maligno. E, para que tal não ocorra, a unção entra em cena instruindo os ouvintes e ungindo o entendimento de todos a fim de que compreendam a mensagem, a guardem no coração e a pratiquem. Antes de tudo isso, porém, unge o pregador e o formador desde os instantes iniciais de preparação do ensino e da pregação.

A imagem que temos da unção é de algo bastante concreto, palpável mesmo. É também pela unção que o Senhor nos toca e manifesta seu amor ao nosso íntimo, dando-nos aquela saborosa sensação de alegria, leveza, bem-estar, que gera em nós a confiança em Deus e a esperança em sua ação em nosso favor.

A concretude da unção do Espírito Santo se exterioriza em vários efeitos bastante visíveis. A Bíblia nos atesta que Pedro e seus companheiros, tão logo foram ungidos pelo Espírito em Pentecostes, puseram-se a pregar destemidamente diante de todas as pessoas que se reuniram diante do cenáculo. Dizem os testemunhos coletados por Lucas que naquele dia alguns milhares de pessoas se converteram.

Desde o Pentecostes viram-se nos discípulos alguns sinais incomuns que inegavelmente são efeitos da unção. Dentre eles podemos citar a coragem, a fortaleza, o dom de milagres e prodígios, a autoridade espiritual e o bom e velho, porém sempre atual ardor missionário. A este respeito, não hesitamos em dizer que sem unção não haverá N-E-N-H-U-M A-R-D-O-R M-I-S-S-I-O-N-Á-R-I-O. Você deseja evangelizar com ardor missionário? Busque a unção do Espírito Santo por todos os meios disponíveis e lute para conservá-la com todas as armas que tiver, tais como: oração, jejum, consagração ao Senhor, meditação da Sagrada Escritura, vigiar para não perder a unção, pedir nova efusão do Espírito Santo quando estiver sem unção, assumir a missão que lhe for confiada e ser fiel à unção recebida. Tudo isso nos ajuda a permanecermos plenos do Espírito Santo, condição fundamental para se ter ardor.

Lembrando que a unção é também o meio que o espírito Santo emprega para manifestar a presença e a ação de Deus aos homens, podemos dizer que ela é a mão de Deus que nos toca, ou melhor, é o próprio ser do Altíssimo que se digna agir em plena história humana. Sendo isso verdade, estaria explicado, ao menos em parte, o ardor infindável dos missionários que se deixam mover e conduzir pelo Espírito, assim como o destemor em face da morte, a fortaleza ante as perseguições e as críticas não construtivas, o humilde acolhimento das exortações e das correções fraternas, a abertura e a coragem para permitir que ocorram no próprio ministério os sinais e prodígios, a autoridade espiritual que toca os recônditos mais profundos dos corações humanos e também expulsa Satanás, o desejo ardente de colaborar com o Senhor, a fim de que seu Reino seja instaurado e prevaleça entre os homens. Reino de justiça, amor e paz.

Da lista acima, precisamos esclarecer a autoridade espiritual… um pouquinho. Ela é um dom pelo qual o Senhor nos capacita a tocar os corações dos irmãos quando pregamos, cantamos, coordenamos, pastoreamos, oramos, formamos. A autoridade espiritual nos vem quando o Espírito Santo nos reveste com sua unção. Da mesma forma que as ordens de um jovem oficial conseguem surtir efeitos nas pessoas que o vêem vestido com sua farda e portando as insígnias de sua patente, nossa ação evangelizadora atinge os efeitos a que se destina quando estamos revestidos de unção.

Gostaríamos de salientar no final deste item que o acolhimento da unção do Espírito Santo é o mesmo que aceitar a ação concreta de Deus na história humana. Assim sendo, para ter ardor missionário, um ponto fundamental é abrir-se à unção e buscá-la com doce humildade, mas buscá-la, sem jamais se conformar com um ministério morno. No item abaixo aprofundaremos essa idéia.


 Cf. 1Sm 10,1 Cf. 1Sm 16,13

 Cf. 1Sm 24, 1-23; 26-1-25

Locução substantiva. Rubrica: termo jurídico. intento de matar. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Cf. 2Sm 2,4-7

 Cf. 2Sm 5,3-5

 Cf. Lc 4,16-21

Cf. Gl 4,6-7; 5,22-23: “Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei.”

 Cf. At 2,42

Alguns irmãos de igrejas protestantes, valendo-se dos significados dos morfemas gregos que formam a palavra nicolaíta (Nikos = vitória + laos = povo + ton = a), têm interpretado algumas passagens do Apocalipse em desfavor da Igreja, atacando principalmente o clero. Contudo tais interpretações carecem de fundamento histórico e teológico. Entretanto, deve-se reconhecer que a tarefa de estabelecer o significado de “nicolaíta” no Apocalipse não é fácil. Assim, para as finalidades destas reflexões, nos serviremos dos resumos de dois dicionaristas, ambos bastante conhecidos entre os estudiosos. O primeiro, A. VAN DEN BORN (Dicionário Enciclopédico da Bíblia, p. 1042), diz: “Nicolaítas (Nicolaitai), assim Apc 2,6.15 chama os adeptos de uma tendência gnóstico-libertina nas comunidades cristãs de Éfeso e Pérgamo. Aos mesmos refere-se provavelmente Apc 2,2.14.20.24. Devem o seu nome talvez a um tal de Nicolau, aliás desconhecido, que diversos SS. Padres, desde Ireneu, identificam com o ‘diácono’ Nicolau de At 6,5. Conforme outros o nome seria simbólico (como o de Jezabel 2,20).” O segundo, JOHN L. McKENZIE (Dicionário Bíblico), informa: “NICOLAÍTAS (gr. Nikolaites, ‘seguir de Nicolau’). Seita que aparece na igreja primitiva de Éfeso (Ap 2,6) e Pérgamo (Ap 2,15). As alusões não contam nada acerca da origem da seita ou de suas doutrinas práticas, que o autor de Ap repudia. Não têm fundamento os esforços para ligá-la a Nicolau, um dos sete indicados para assistir os apóstolos (At 6,5).”  Existe um pouco de controvérsia sobre o significado de nicolaíta. Transcreveremos a seguir um trecho que nos ajudará a compreender o que eram os nicolaítas no tempo de João:

Nos tempos de João existiam pelo menos mais duas heresias conhecidas, a dos judaizantes e as dos gnósticos. Os judaizantes exigiam que os cristãos seguissem os ritos judaicos, como a circuncisão, por exemplo. No entendimento deles as pessoas para participarem da graça que Jesus nos trouxe deveriam se tornar judias.

O gnosticismo afirmava que a matéria era má. Aliás, seu lema era: “A matéria é má”. Baseavam suas idéias em alguns filósofos gregos. Isso contrariava a Bíblia frontalmente, pois Deus que tudo fez, incluindo a matéria, “contemplou toda a sua obra e viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31).

O alcance dessa doutrina ia mais longe ainda. Ela negava até a Encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo. De fato, a afirmação da matéria como sendo uma coisa ruim é totalmente incompatível com o fato do Filho de Deus ser verdadeiro Deus e verdadeiro homem, posto que o homem é matéria. Logo, se admitissem que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, seriam obrigados a renunciar a uma de suas idéias mais fortes – negação da bondade da matéria – pois em Jesus não existiu e não existe nada de mau. Admitindo que Jesus se encarnou em um corpo material, haveriam de aceitar que a matéria é de fato boa, pois no Senhor só existe o bem. Mas eles não se davam por vencidos em sua obstinação, e para continuarem negando a bondade da matéria e, pior ainda, para tentarem sustentar sua heresia, argumentavam que Jesus apenas se parecia com um homem, sendo sua humanidade uma mera ilusão.

Os Gnósticos, pelo menos uma parte deles, diziam que o Deus dos hebreus era um ser maligno, portanto uma criatura má, bastante diferente de Jesus. Com isso podiam a um só tempo negar que Deus era o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo e admitir que ele teria feito a matéria, porém a teria feito má.

Para Jesus os gnósticos reservavam tratamento não menos errado. Afirmavam que o Senhor seria uma espécie de “aeon”. Aeons, segundo eles, seriam criaturas divinas que mediavam as relações entre o homem e uma espécie inatingível de Deus. A mais subalterna dessas criaturas seria Jesus, que devia estabelecer contato direto com os homens.

 Cf. Jo 13,23. 25

 

Cf. Lc 24,45s

Cf. Publicação da Editora Ave-Maria

Cf. At 2,41

 Sobre a autoridade como efeito da unção, ensina Raniero Cantalamessa, em seu livro “O Espírito Santo na vida de Jesus, pp. 36 e 37 ”, que “O Espírito não dá a Jesus a palavra a anunciar (porque Jesus, enquanto Verbo é ele mesmo a Palavra do Pai), mas dá força à sua palavra; mais ainda, é a própria força da palavra de Deus.

Que realiza concretamente o Espírito dento da palavra de Jesus? Confere-lhe autoridade (“Ele fala com autoridade!) e eficácia; quando Jesus fala, sempre acontecem coisas: o paralítico se levanta, o mar se acalma, a figueira seca; além disto: os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos ficam sãos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, a Boa Nova é anunciada aos pobres (Lc 7,22).”

Dercides Pires da Silva

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